PERFORMATIVIDADE DE GÊNERO: CORPORALIDADE, SEXUALIDADE E INTERSECCIONALIDADE EM PINK OR BLUE

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Na última sexta -feira, dia 3 de setembro às 16:15, a discente Andresa Machado defendeu sua qualificação de mestrado intitulada “Performatividade de gênero: corporalidade, sexualidade e interseccionalidade em Pink or Blue”, orientada pelo Prof. Dr. Tiago Ricciardi Correa Lopes. A banca ocorreu de forma remota e contou com Prof. Dr. Gustavo Daudt Fischer (UNISINOS) e Profa. Dra. Gabriela Machado Ramos de Almeida (ESPM).

A pesquisa aborda questões de performance de gênero no curta-metragem Pink or Blue (2017), como forma de tensionar padrões heteronormativos de determinação de masculinidade e feminilidade. O filme explora a dicotomia entre dois mundos que coexistem (masculino e feminino), mas que são apartados pela estrutura socio-histórica patriarcal.

Com este enfoque, Machado busca entender como os construtos comunicacionais de feminilidade e de masculinidade se atualizam nas imagens técnicas e metafóricas de Pink or Blue. Para tanto, a discente dispõe seu arranjo metodológico a partir da flânerie, proposto por Walter Benjamin – descrito por Canevacci (1997) – movimento procedimental que visa tornar familiar o que é estrangeiro e estrangeiro o que é familiar. Unido a isto, o método de análise proposto por Kilpp (2003, 2010) permite o acesso à superfície dos objetos audiovisuais. Esta estratégia propõe congelar as imagens tirando-as de seu fluxo natural para em seguida desmontá-las conceitualmente. Por fim, outro procedimento vai auxiliar a organização destes elementos e a partir disto criar coleções com o intuito de agrupar as imagens que possuem semelhanças entre si. Tal método é apresentado por Molder (2010). A organização de constelações destes elementos significa que esses agrupamentos ocorrem para criar tensão entre essas imagens, mas ainda destacando seus aspectos comuns. No processo, o material é retirado de seu contexto original e reconfigurado para destacar ambiguidade, inconsistência e oposição para que possam configurar novos sentidos.

Para a pré-análise da pesquisa, a discente articulou três constelações: sexualidade feminina, corporalidade como instrumento de poder e entrelaçamentos interseccionais.

A primeira constelação Sexualidade feminina, se referem às imagens que retratam questões como: heterossexualidade compulsória; o ciclo menstrual como algo que deve ser escondido; o desejo sexual das mulheres; e como aquelas que expressam suas vontades sexuais ainda são retratadas como promíscuas.

Já a constelação Corporalidade como instrumento de poder, diz respeito às corporalidades e como o corpo pode ser um instrumento de poder, mas também de desempoderamento, principalmente quando se pensa nos corpos femininos.

E a constelação Entrelaçamentos interseccionais, se concentra como uma maneira de entrelaçamento com as demais. A partir do aporte teórico-metodológico da interseccionalidade, o qual entende gênero, raça e classe como estruturas vinculadas, a pesquisadora trouxe ao debate como o machismo, racismo e heteronormatividade são apresentados no curta-metragem.

A banca avaliadora aprovou a pesquisa nesta etapa de qualificação de mestrado e fez diversas contribuições, entre elas sugestões de leituras e encorajou ampliar alguns tópicos centrais que dizem respeito a pensar como pensam as próprias imagens e expandir os conceitos de performance e performatividade que são fundamentais para a pesquisa.

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