Nascida da Tormenta, a Última de seu Nome: Construtos de (des)empoderamento feminino a partir de Daenerys Targaryen

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Na última quinta-feira (05.05.2022), a pesquisadora Clara Meira Moraes defendeu sua dissertação do mestrado sob o título “NASCIDA DA TORMENTA, A ÚLTIMA DE SEU NOME: Construtos de (des)empoderamento feminino a partir de Daenerys Targaryen”. Orientada pelo Prof. Dr. Tiago Lopes, a banca ocorreu em formato remoto, tendo como integrantes avaliadores a Profa. Dra. Ana Paula Cruz Penkala Dias (UFPEL), e a Profa. Dra. Ana Paula da Rosa (UNISINOS).

SOBRE A PESQUISA

A pesquisa de Clara toma como base empírica a trajetória da personagem Daenerys Targaryen, da série Game of Thrones (2011 – 2019), aliado a um corpus expandido que apresenta um conjunto de cenas, sequências e personagens de outros universos cinematográficos os quais possuem elementos norteadores semelhantes a trajetória de Daenerys.

Como parte do corpus expandido, a pesquisadora evoca: Sang-mi, do drama coreano Save Me (2017); Olivia Pope, da série Scandal (2012 – 2018); Cassie, do filme Bela Vingança (2020); Serena Waterford, da série The Handmaid’s Tale (2017 – presente); Jean Grey, da trilogia de filmes X-Men (2000-2006); e Poussey Washington, da série Orange is the new black (2013-2019).

O objetivo principal da dissertação reside em compreender as formas com que o (des)empoderamento é construído e, mais especificamente, investigá-los quanto aos seus recursos técnicos, estéticos e narrativos. Com um problema de pesquisa definido em “como os construtos de (des)empoderamento feminino no audiovisual se atualizam a partir da personagem Daenerys Targaryen?”, o trabalho da pesquisadora se organizou a partir de 5 capítulos centrais: 

(des)empoderamento feminino: no qual contextualiza o termo “empoderamento” através de uma perspectiva feminista.

 o poder no tecido social: onde apresenta um panorama da presença invisibilizada das mulheres no Primeiro Cinema, conceituando as relações de gênero e da representação de mulheres em tela, quando estas são detentoras de poder.

memória e tecnocultura das/nas imagens: no qual discute a presença de camadas memoriais e tecnoculturais nas imagens, em que se inscrevem significações de forma cultural e social.

procedimentos metodológicos: onde elucida a sua trajetória até a análise, indo da flânerie, dissecação até a cartografia, chegando enfim na constituição de três constelações, denominadas “A mulher poderosa”, “A mulher incapaz” e “A mulher descartada”.

A MULHER (DES)EMPODERADA

No capítulo de análise, a pesquisadora realiza uma investigação mais aprofundada dos construtos encontrados nas imagens durante seu agir metodológico, partindo de afecções pessoais e do referencial teórico do trabalho para estruturar suas observações.

Formulada a partir de conjuntos de coleções organizados por critérios plásticos das imagens, sua análise se estrutura em três momentos: 

A mulher poderosa

Agrupamento que contém situações em que a mulher está em processo de empoderamento ou de conservação do seu poder.

A mulher incapaz

Quando impeditivos e obstáculos são colocados em frente às personagens, sejam eles uma única pessoa ou instituições de poder, de modo a julgá-la inábil a possuir poder.

A mulher descartada

As variadas formas de retirada de poder dessas personagens em suas diferentes situações.

Em suas considerações finais, Clara destacou como o mecanismo mais utilizado para posicionar a mulher como um ser incapaz é atrelando o feminino à loucura.

Através das similaridades tecnoestéticas e narrativas entre as personagens, percebemos que esses construtos perduram como inscrições de sentido, se renovando a cada nova aplicação.

Também levantou questionamentos relacionados ao poder feminino retratado em tela – podendo ser utilizado como recurso de chamariz de audiência, ou uma mera fachada que desemboca na conservação da ordem de poder hegemônica, a pesquisadora optou por deixar perguntas em aberto sobre o tema.

Desse modo, sua apresentação de um panorama do (des)empoderamento feminino no audiovisual mobiliza mais contribuições sobre o tema, fomentando discussões no campo da análise fílmica.

COMENTÁRIOS DA BANCA

Em linhas gerais, a banca foi bastante entusiasta ao apontar como a pesquisa proposta pela mestranda é relevante para os estudos que tangem cinema e representação feminina.

Segundo a Profa. Ana Paula da Rosa, as reflexões evocadas pela dissertação tem potencial para irem além dos estudos teóricos e contribuírem também para a prática audiovisual. Ela ressaltou como o projeto evoluiu desde sua concepção em sala de aula, e elogiou o cuidado da mestranda em exercer uma escuta amadurecida com base nos apontamentos de sua Banca de Qualificação, elaborando um documento atento aos detalhes do começo ao fim.

Já a Profa. Ana Paula Penkala destacou a metodologia como o ponto forte da dissertação: sendo um texto preciso, que sabe o que quer e quais caminhos tomar, o fazer metodológico de Clara descreve precisamente este rumo que é adotado, agregando direcionamentos e elementos à medida que a análise é desenvolvida.

A pesquisadora Clara Meira Moraes realizou sua pesquisa com apoio de bolsa da Capes, e integra o grupo de pesquisa TCAv.

Texto: Julia Souza

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