A desimagem no cinema: uma imagética de sentidos que perduram na superexposição

postado em: Atualizações, Bancas | 0

No dia 04 de novembro, o discente da linha de pesquisa mídias e processos audiovisuais, Maurício Borges de Medeiros realizou de forma virtual a defesa de sua dissertação intitulada como: “A desimagem no cinema: uma imagética de sentidos que perduram na superexposição”, sob orientação do Dr. João Ricardo Bittencourt. A banca avaliadora contou com a participação do Dr. Michael Kerr (UFPEL) e Dr. Tiago Ricciardi Correa Lopes (UNISINOS).  

Sobre a pesquisa 

Maurício iniciou sua apresentação a partir da sua autodescrição retratando cenários de acessibilidade, além disso, mencionou o ato de “Salve o Cinema” e “Salve o Cinema Brasileiro”. Discorrendo sobre o conceito do que é “desimagem”, Medeiros contextualizou a análise da “superexposição” no cinema, no qual buscou retratar o seu ponto de fala no mundo a partir da fotografia e, para sua surpresa, todos registros fotográficos que encontrava, Medeiros estava segurando uma câmera.  

Para tanto, Maurício apontou sentidos que levaram a pesquisar afinco sobre “superexposição” que eram apresentadas como um cenário de erro remetendo a esse elemento, que segundo o autor, é fundamental para “exposição” e a “superexposição”. Cenários esses que foram abordados dentro de pesquisa da pesquisa, pois títulos foram encontrados com temas próximos a: “Como fazer uma exposição correta” ou “Como corrigir a exposição”.  

Desta forma, o interesse em ingressar no Programa de Pós-graduação da Unisinos era justamente abordar como essa ausência da imagem poderia atribuir sentidos e, com entendimento da ausência de imagem (que é a luz de set) VS. imagem de ausência (que é da luz na tela) pôde direcionar sua pesquisa, já que era diferente do que vinha propondo. Por isso, tendo em vista esse entendimento, Medeiros conseguiu enquadrar a imagem “superexposição” como uma imagem técnica através de autores como: Barthes, Aumont e Flusser. Diante disso, a imagem técnica de superexposição apareceu na pesquisa como uma imagem técnica composta em excesso de luz em sua existência. 

Buscou encontrar métodos que pudessem evidenciar e que deixasse cada vez mais nítidos a superexposição nas imagens, porém nesta etapa os processos não apontaram certa existência da super e que, para o pesquisador, não indicaram evidências de sentidos que, para tanto, precisava criar seus métodos próprios. Maurício desenvolveu métodos específicos e, por isso, surgiu a tríade de procedimentos identificadores que puderam confirmar a imagem técnica de Superexposição.  

Tendo em vista, a terceira onda da pesquisa que foi atrelada a disciplina, conduzida pela professora Ione Maria Ghislene Bentz, Processos de Comunicação e Significação, além da tese de Ricardo Weschenfelder “Rastros do Invisível no Plano Cinematográfico”, que segundo o aluno, deram sentido de superexposição que ele buscava. Além disso, os procedimentos tecnometodológicos nortearam para entendimento da imagem técnica de superexposição, sendo elas: I – identificação de oposição, II – desnaturalização e III – desagregação.  

Na quarta onda e último momento, Medeiros passa a percorrer para os sentidos de materialização com o conceito de “Desimagem” , que tem como significado uma proposta de “nulidade da imagem através da imagem da superexposição”, tendo em vista efetivo processo de busca da superexposição plena. Para o autor, o termo “Desimagem” está atrelado à confiança do espectador.  

Pesquisa  

O seu objetivo geral foi analisar e conceituar a desimagem como sendo virtual que se atualiza perdurando nas imagens de superexposição no cinema. Já os específicos, tratam em cartografar e dissecar imagens de superexposição em diversos filmes, elencando atualizações de desimagem, formar constelações que enquadrem as desimagem, agrupando por afinidades as diversas imagens mapeadas apontando para elementos afins pelos sentidos depreendidos, compreender os sentidos identitários que as imagens técnicas de superexposição ajudam a criar e o que dizem sobre si próprias e sobre o cinema.  
 

Metodologia e análise 

Nesta etapa a metodologia utilizada foi de método de intuição (Bergson) que percorreu por toda a pesquisa, flânerie (Benjamin) que de maneira ampla permitiu direcionar o autor a olhar para outros filmes através das cenas e dos seus planos, além disso, o método de cartografia (Benjamin e Canevacci), dissecação das imagens (Kilpp), sendo a principal da pesquisa a partir dos achados e montagens relacionados a constelaçãom, serviram para nortear melhor o trabalho. A imagética foi utilizado como método mais técnicos para composição das imagens em cima de autores, fotógrafos e diretores de fotografia (Ansel Adams, Aronovich Edgar Moura Eisenstein), que a partir disso, o autor chegou há quatro agrupamentos de constelações.

Uma observação que o pesquisador aborda é para os métodos de “Intuir e Flânerie”, já que foi nesta etapa que surgiu o enquadramento da superexposição como uma imagem técnica de superexposição (Flusser, Didi-Huberman e Aumont Barthes). 

As quatros constelações foram:  

I – construtos de representações físicas e de verossimilhança  
II – construtos não realísticos oníricos e místicos  
III – construtos narrativas relativos à montagem  
IV – as elipses que se criam  

Foram mais de 100 filmes que passaram por uma avaliação para compor amostra e que desses filmes apenas 48 foram submetidos análise para avaliar o enquadramento de imagem técnica de superexposição e somente 18 foram apresentados como amostra final para fazer parte do trabalho.  


Banca

Após a apresentação, os professores convidados Dr. Michael Kerr (UFPEL) e Dr. Tiago Ricciardi Correa Lopes (UNISINOS) parabenizaram o aluno Maurício pelo trabalho realizado durante a sua jornada como pesquisador. Apontaram que acompanharam de perto as mudanças que ocorreram, já que participaram da qualificação e, por isso, ficou muito claro a evolução. Interessante perceber, segundo eles, a grandeza da pesquisa que visa, principalmente, contribuir para os processos audiovisuais, além disso, a pesquisa faz diálogo com a prática e surpreende o fato do pesquisador criar um conceito a partir dela. “Os caminhos foram inesperados, mas o foco manteve-se o mesmo”, disse o Dr. Tiago Ricciardi Correa Lopes (UNISINOS) parabenizando o aluno. E para concluir, o professor Dr. João Ricardo Bittencourt apresentou ata lida para os presentes na sala e o resultado da banca avaliadora que aprovou o trabalho do aluno.  

Texto: Rayana Garay

Deixe um comentário